Viola Davis revelou que recebeu o diagnóstico de herpes-zóster mais de uma vez ao longo da vida. A artista, vencedora do Oscar, Emmy, Grammy e Tony Awards, relatou em entrevista à revista People, que enfrentou crises com dores tão intensas que mal conseguia caminhar, deitar-se ou levantar-se da cama.
O primeiro episódio da infecção viral ocorreu em uma fase de grande dedicação profissional, logo após adotar a filha, Genesis Tennon, e concorrer ao Oscar pelo filme Histórias Cruzadas (2011).
"Eu tinha acabado de me tornar mãe. Havia acabado de adotar minha filha. Estava vivendo o reconhecimento que veio depois da minha indicação ao Oscar por Histórias Cruzadas. Então, eu trabalhava, trabalhava, trabalhava, até chegar ao meu limite", relembrou a atriz.
Crises e sintomas dolorosos
A artista, que voltou a ter a doença, descreveu os sintomas: "De repente, acordei com sintomas semelhantes aos de uma gripe e uma erupção cutânea extremamente dolorosa. Quero dizer, em uma escala de zero a dez, eu daria nota nove para a dor", contou.
Viola detalhou a evolução das lesões: "Começou na minha barriga e se espalhou até as costas. Desapareceu, mas depois voltou, com três bolhas na parte superior das costas. Fiquei surpresa com a intensidade da dor. Era difícil me deitar, levantar e caminhar. Dor nos nervos, tudo isso".
A intensidade do incômodo levou a atriz a desconfiar inicialmente do ataque de um animal peçonhento. Ela pensou ter sofrido a picada de uma aranha venenosa. A confirmação do quadro de herpes-zóster acabou sendo "a maior surpresa da minha vida", relatou, admitindo que não conhecia absolutamente nada sobre a enfermidade.
Riscos da infecção viral
O herpes-zóster surge a partir da reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo causador da catapora. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o problema provoca erupções dolorosas na pele, habitualmente restritas a um lado do corpo, além de coceira, formigamento e dores nos nervos prolongadas. A incidência e o risco aumentam a partir dos 50 anos.
O confronto com a dor fez a artista repensar o modo como lidava com o próprio bem-estar. Acostumada a excessos na rotina profissional, ela supunha que a prática de exercícios e a boa alimentação bastavam para protegê-la.
"Eu sentia que, de certa forma, estava imune a qualquer doença naquele momento, porque me exercitava e me alimentava bem. Achava que era saudável porque fazia todas as coisas certas. E então, de repente, tive herpes-zóster", declarou.
A atriz fez ainda uma reflexão sobre a antiga percepção de resistência: "Eu me sentia como uma soldado. Quanto mais eu conseguisse suportar, mais forte seria. Não sabia que não é disso que se trata a força. Ser forte significa cuidar do próprio corpo com carinho e ter uma boa saúde à medida que envelhecemos".
Diante da gravidade dos episódios, Viola uniu-se a uma farmacêutica para conscientizar o público sobre o herpes-zóster e a incentivar a prevenção entre pessoas de 50 anos ou mais.
"Senti que era a porta-voz perfeita para essa campanha, porque a experiência me despertou para a importância de ouvir meu corpo, algo que eu não fazia antes. Eu achava que ouvir meu corpo era um sinal de fraqueza. Que isso me faria parar. Era como uma lombada no caminho, e eu precisava continuar acelerando", explicou.
Ela ainda reforçou a necessidade de buscar orientação especializada: "Mas você precisa sentir que é importante o suficiente para entender que a vida não deve ser vivida com algo que lhe cause uma dor debilitante. Você precisa procurar seu médico. Precisa buscar um profissional de saúde".
A atriz admitiu que, durante anos, priorizou as demandas de terceiros e da família em detrimento de si mesma. "Eu estava presente para minha filha. Estava presente para meu marido, para meus funcionários, e, de certa forma, colocava todos eles em um nível de importância acima de mim, sabe? Eu achava que isso era o que me definia como uma mulher moderna e poderosa, que eu podia sacrificar minha vida pelos outros", desabafou.
Atualmente, Viola mantém contato regular com seu médico e coloca os cuidados preventivos em primeiro plano, mesmo na ausência de sintomas. "Hoje sinto que sou importante o suficiente e que meu corpo é importante o suficiente para que eu o escute e o respeite. Descobri que esse é o segredo para envelhecer bem", concluiu.