A Polícia Civil de Minas Gerais investiga a morte da capitã da Polícia Militar, Michele Leão Azevedo, ocorrida em Belo Horizonte. O principal suspeito é seu marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, que foi preso após ela dar entrada em uma unidade hospitalar já sem vida. O caso está a ser tratado como feminicídio.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima apresentava diversos hematomas pelo corpo, além de traumatismo craniano, o que fez a equipe médica acionar a PM. No hospital, o sargento Eduardo teria sido flagrado tentando descartar um material semelhante à droga sintética êxtase, que foi apreendido para perícia.
Em depoimento à polícia, o sargento afirmou que o casal participou de uma confraternização no dia anterior, onde consumiu bebida alcoólica e drogas. Eduardo alegou que ambos mantiveram relações sexuais que envolviam práticas de dominação e agressões físicas.
Segundo a sua versão, após o ato, Michele teria caído de uma escada e batido com a cabeça, mas recusado assistência médica. O suspeito disse ainda à polícia que ambos foram dormir e que só percebeu que a esposa estava sem sinais vitais horas mais tarde, momento em que a levou para o hospital.
Relação abusiva
Apesar das alegações do sargento, familiares da capitã Michele apresentaram uma versão diferente aos investigadores, afirmando que o casal vivia um relacionamento abusivo.
Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi conduzido ao Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e deverá passar por uma audiência de custódia nesta quarta-feira (22), enquanto a polícia aguarda os laudos periciais para determinar a causa exata da morte da capitã.
Outro caso
Em fevereiro, um outro caso envolvendo um casal de policiais militares também chocou a corporação. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso e acusado de assassinar a sua esposa, a policial militar Gisele Santana. A audiência de instrução do caso do caso começou no início de julho, mas foi suspensa no final, remarcando o depoimento do oficial para agosto.
O crime ocorreu no apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, Centro de São Paulo. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas o curso das investigações mudou drasticamente após uma nova perícia realizada após a exumação do corpo de Gisele.
Os exames revelaram lesões compatíveis com agressão física e indicaram que a posição da arma tornaria impossível que a vítima tivesse tirado a própria vida. Atualmente, o tenente-coronel responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Segundo os investigadores, Geraldo Neto teria alterado a cena do crime para simular o suicídio da esposa, chegando a coagir policiais subordinados a ele para que corroborassem a sua versão inicial.