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Proibição de celular nas escolas melhora concentração, dizem professores

A restrição ao uso de celulares nas escolas já começa a apresentar os primeiros resultados um ano após a entrada em vigor da lei federal que limita os aparelhos durante o período escolar. Pesquisa do Ministério da Educação (MEC) aponta que a medida ampliou a participação dos alunos, melhorou a socialização e ajudou a reduzir conflitos, enquanto professores e gestores relatam ambiente mais favorável ao aprendizado e à saúde mental dos estudantes.

O levantamento ouviu diretores de mais de 8 mil escolas públicas e particulares de todo o país. Entre os entrevistados, 97% avaliam que a proibição ampliou a participação dos alunos nas atividades, 95% acreditam que a medida favoreceu a socialização e 88% consideram que a lei ajudou a reduzir conflitos e o cyberbullying. Os efeitos também aparecem na saúde mental: para 86% dos gestores, a restrição diminuiu a ansiedade dos estudantes.

Na prática, a rotina escolar mudou. Em uma escola da rede pública, cada sala de aula tem uma caixa para o estudante guardar o celular, que fica inacessível durante as aulas desde que a lei passou a valer. A adaptação, porém, dividiu opiniões entre os alunos.

O estudante Rômolo Molon conta que o mais difícil foi a mudança repentina de hábito. "Acho que foi o desapego, de uma forma repentina, tem que guardar numa caixinha específica e focar na aula", diz. Já Alexandre Franco avalia que a medida teve efeito direto no rendimento. "Foi muito bom, aumentou muito o meu desempenho, aumentou bastante, acredito que os dois alunos também, aumentou muito", afirma.

Para Bianca Rafaely, o formato ajuda justamente por tirar o aparelho do alcance. "Eu acredito que a caixa tenha um ponto positivo, porque com o celular lá dentro, o aluno não tem a estatística de ir lá e pegar o celular, ele não tem acesso. Então não tem como ele ficar o tempo todo abaixado na bolsa para ver a notificação que apareceu", explica.

Do lado dos educadores, a professora Geneci Padilha observa que a nova regra encontra graus diferentes de aceitação. "Nós temos alunos que já têm essa conscientização, já em parceria com a família, e outros que caminham no lado contrário. Então, toda mudança de hábitos gera uma certa resistência", diz.

Apesar da boa avaliação geral, convencer os estudantes a cumprir a norma ainda é um problema para 39% dos diretores, e 31% relatam dificuldade para fiscalizar se os aparelhos permanecem guardados. Para o pesquisador em liderança educacional Renato Casagrande, a restrição é importante especialmente diante do avanço da inteligência artificial, que sem controle poderia inviabilizar o próprio trabalho em sala.

"Os professores não conseguiriam dar aula, porque o professor daria um exercício, o aluno colocaria no ChatGPT, ele resolveria e o aluno teria cumprido a tarefa. Portanto, os alunos passariam a perna no professor, tranquilamente, como já passam em casa. Ele deve ser uma ferramenta útil para esses momentos, mas sempre sob a batuta do professor e com regras claras", afirma.

A lei que restringe o uso dos aparelhos foi sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2025 e vale para escolas públicas e privadas de toda a educação básica, com exceções para fins pedagógicos, acessibilidade e emergências de saúde.

Levantamentos anteriores já indicavam efeitos positivos, como o que mostrou avanços em salas de aula e queda no bullying virtual na percepção de gestores, ainda que os próprios estudantes percebam essas mudanças em ritmo mais lento.

Fonte: Band.
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