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Preço do prato feito sobe acima da inflação e marmita vira alternativa

O preço do prato feito, o popular PF, subiu bem acima da inflação desde o início do ano, e a marmita virou a saída de quem tenta não estourar o orçamento.

Composto por arroz, frango, batata frita e feijão, o PF é considerado o almoço mais barato do Brasil — mas o tempero anda ficando salgado para o bolso do brasileiro. O prato acumulou alta de mais de 7% em junho na comparação com janeiro.

O preço médio no País é de R$ 31,90. O mais caro está no Sul (R$ 32,90), e o mais em conta, na região Norte (R$ 29,99). Apesar das diferenças regionais, há um movimento comum: o PF está mais caro em todo o Brasil – e não só por causa dos ingredientes.

A comida e o frete dos produtos respondem por cerca de 35% do preço final. Também pesam os gastos com funcionários dos restaurantes (23%), os custos com aluguel, água, energia e gás (12%), a margem de lucro do empresário (9%) e os impostos e outras despesas (21%).

O economista Rodrigo Simões explica que o valor embute muito mais do que o alimento. "É um produto que está embutido não só o alimento, mas o custo do serviço. A inflação de serviços está muito pressionada, e muitos comerciantes estavam represando parte das suas margens de lucro para não perder cliente", afirma.

A alta se soma à pressão dos alimentos vista ao longo do ano, com produtos como a carne bovina acumulando aumento superior a 26% em 2026.

O peso no orçamento aparece na rotina de quem almoça fora. Manuel Neto, gerente de cobrança, gasta entre R$ 650 e R$ 700 por mês só com comida.

Para economizar, o jeito é apelar para a marmita — e a conta que sobra ganha outro destino. "Vai para casa, né? Dá para você tirar um lazerzinho com a família no fim de semana", conta.

O movimento aqueceu um serviço específico. Há dez anos, a comerciante Alessandra Oliveira montou um espaço só para esquentar as marmitas de clientes, cobrando R$ 4 pelo serviço. Os dez micro-ondas não dão conta no horário de pico: cerca de 250 pessoas passam pelo local todos os dias, e a procura só cresce.

"A gente quer dobrar esse número, porque a demanda só vem crescendo, as pessoas cada dia vêm mais e aumenta a fila", diz a comerciante que, por conta do movimento, planeja ampliar o espaço.

Fonte: Band.
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