As investigações sobre a morte do cão "Orelha" avançam em Santa Catarina, mas a falta de imagens diretas da agressão ainda é um desafio para as autoridades. O caso, que provocou uma onda de indignação nacional, continua a mobilizar a Polícia Civil e a sociedade civil, que exige justiça e leis mais rigorosas contra os maus-tratos a animais.
Num depoimento recente, o porteiro do condomínio onde o crime teria ocorrido negou possuir qualquer vídeo que mostre as agressões ao animal. Ele esclareceu que as fotografias que tirou e partilhou num grupo de mensagens do prédio tinham como objetivo identificar adolescentes envolvidos em atos de depredação no condomínio, e não o momento do ataque ao cão.
A Polícia Civil reforçou que já analisou mais de mil horas de gravações de câmaras de segurança, mas, até ao momento, não encontrou o registo do ato de violência. Além disso, as autoridades desmentiram a tese de que o crime teria sido gravado especificamente para "desafios" em redes sociais, embora a hipótese de divulgação posterior ainda seja apurada.
A investigação já ouviu mais de 20 pessoas. Um dos adolescentes envolvidos, que se encontra atualmente nos Estados Unidos, já prestou depoimento às autoridades. Por outro lado, um jovem que era inicialmente tratado como suspeito foi retirado da lista de investigados e passou à condição de testemunha, após a sua família apresentar provas de que ele não estava presente no local no momento dos factos.
Mobilização Nacional e "Brecha" na Lei
A morte do cão "Orelha" motivou manifestações em diversas capitais brasileiras, incluindo um grande protesto na Avenida Paulista, em São Paulo. O movimento pede punições mais severas para crimes desta natureza. Especialistas destacados na reportagem apontam que, embora a legislação brasileira tenha avançado contra os maus-tratos, existe uma "brecha" jurídica quando o ato resulta na morte do animal, o que muitas vezes impede que os responsáveis recebam penas de prisão efetiva.
A polícia continua a trabalhar no caso para reunir provas robustas que permitam a responsabilização dos culpados e tragam uma resposta à sociedade.