A polícia de São Paulo pediu a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, suspeito de matar a policial militar Gisele Alves. A informação, em primeira mão, é do apresentador Joel Datena, do Brasil Urgente e do Bora Brasil, da Rádio Bandeirantes.
O pedido será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, e uma decisão pode sair ainda nesta terça-feira (17). O argumento é que, em liberdade, o tenente-coronel pode atrapalhar as investigações da morte da PM.
A decisão das autoridades de solicitar a detenção ocorre após a análise de novos laudos periciais, incluindo os dados obtidos na exumação do corpo da policial, que apontaram inconsistências severas entre o depoimento do oficial e as evidências físicas encontradas no apartamento. A polícia trabalha agora com a hipótese de feminicídio e fraude processual, suspeitando que a cena do crime possa ter sido alterada.
Entenda o caso
A morte da soldado da Polícia Militar Gisele ocorreu em um cenário de suspeita de feminicídio envolvendo seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. O episódio ganhou repercussão após a perícia encontrar contradições entre a cena do crime e os depoimentos iniciais, levando a defesa da família da soldado a acusar o oficial de execução.
Por outro lado, o tenente-coronel sustenta que a esposa teria atentado contra a própria vida após ele sugerir a separação do casal naquela manhã. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da corporação, com foco em laudos de balística, imagens de câmeras corporais e na reconstituição dos fatos para determinar se houve homicídio ou suicídio.
O intervalo de tempo e o ruído do disparo
A cronologia dos fatos na manhã do incidente apresenta uma lacuna de quase 30 minutos que o oficial tenta justificar. Uma vizinha relatou ter ouvido um estrondo significativo às 07:28, enquanto o pedido de socorro feito pelo coronel só ocorreu às 07:57. O suspeito defende que o ruído ouvido pela testemunha foi o som da porta do quarto sendo batida com força por Gisele, e não o tiro.
No entanto, a perícia ressalta que o som de um disparo de calibre .40 é extremamente potente e dificilmente seria confundido ou passaria despercebido num ambiente residencial, o que coloca em dúvida a versão de que o oficial estaria no banho sem perceber o ocorrido imediatamente.
Contestação dos laudos periciais e de resíduo de pólvora
Um dos pontos centrais da investigação é o exame residográfico de Gisele, que resultou negativo para pólvora. O tenente-coronel justifica esse dado afirmando que o corpo da esposa foi higienizado com soro e iodo pelos socorristas e pela equipe médica antes da coleta do material, o que teria removido os vestígios químicos. Além disso, ele contesta a versão da acusação sobre a trajetória do tiro. Segundo o oficial, o laudo oficial indica um disparo de baixo para cima em um ângulo de 30 graus, o que, em sua visão, corroboraria a tese de que não houve execução.
Histórico do suspeito e decisão judicial
Além das provas técnicas, a Polícia Civil considera relatos de ex-companheiras do tenente-coronel que compõem um dossiê de comportamento agressivo e perseguição. Embora Geraldo Neto negue qualquer histórico de violência doméstica e afirme nunca ter levantado a mão para Gisele, o pedido de prisão fundamenta-se na necessidade de garantir a ordem pública e impedir que o oficial utilize a sua influência para intimidar testemunhas ou destruir provas.
A versão do tenente-coronel
O principal investigado rompeu o silêncio em entrevista ao Brasil Urgente para detalhar sua visão sobre o ocorrido. Segundo o oficial, a tragédia aconteceu logo após ele acordar e comunicar a Gisele que o melhor para o casal seria o divórcio. Ele afirma que estava no banho quando ouviu o disparo e que, ao encontrar a esposa ferida, acionou imediatamente o resgate e o seu comandante superior. O oficial reforça que tentou prestar socorro e que não houve qualquer alteração na cena antes da chegada das autoridades.
Divergências com a acusação e a tese de defesa
O oficial classifica as afirmações do advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Junior, como um compilado de inverdades. Enquanto a acusação sugere que a soldado planejava fugir de casa por medo e que o coronel teria ordenado o desligamento das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência, Geraldo Neto sustenta que as câmeras estavam ativas o tempo todo. Ele argumenta ainda que o casal planejava se mudar para uma residência próxima aos pais da soldado, negando qualquer plano de fuga por parte dela.