A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu dez integrantes de uma organização criminosa investigada por extorsão, tortura e cobrança violenta de dívidas originadas por agiotagem. A ação policial foi deflagrada em Belo Horizonte, na Região Metropolitana da capital mineira e no município de Capitólio.
As investigações começaram no ano passado e resultaram no cumprimento de 11 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Segundo a polícia, o grupo criminoso é liderado por dois irmãos, e três mulheres estão entre as pessoas presas na ofensiva policial.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 22 milhões em bens móveis e imóveis das contas bancárias dos alvos. Os agentes apreenderam R$ 170 mil em dinheiro em espécie, além de nove carros, motocicletas, lanchas e motos aquáticas vinculados ao esquema financeiro.
O esquema criminoso atuava com violência extrema para garantir o pagamento de empréstimos ilegais a juros abusivos. O grupo filmava as sessões de tortura física contra os devedores para enviar as gravações como forma de coação aos familiares das vítimas.
Segundo o delegado responsável pelo caso, os suspeitos exigiam cópias ou fotos de documentos de parentes no momento da concessão do crédito ilegal. A preferência da quadrilha era obter os registros das mães dos clientes para facilitar ameaças diretas de morte e agressão.
A estrutura contava com divisão de tarefas definida. A Polícia Civil identificou setores responsáveis pelo controle contábil dos empréstimos, pela administração patrimonial e executores encarregados das cobranças violentas nas ruas.
O material apreendido durante as buscas em capitais e cidades do interior inclui aparelhos celulares e computadores. Os itens passarão por perícia técnica para mapear a movimentação patrimonial e detalhar a rota de lavagem de capitais obtidos pelos criminosos.
Com a divulgação da operação, a Polícia Civil espera que outras vítimas de extorsão procurem as delegacias para denunciar a quadrilha. As apurações continuam para identificar novos participantes e localizar outros bens adquiridos com recursos ilegais.