A técnica de enfermagem Auricélia Rocha é investigada pela Polícia Civil do Piauí por tentativa de sequestro após ser presa sob suspeita de tentar retirar uma recém-nascida de uma maternidade em Teresina. Durante as buscas realizadas na residência da investigada, foi encontrado um quarto preparado para receber um bebê.
Segundo a corporação, o inquérito segue em andamento e, até o momento, a apuração indica que ela teria agido sozinha. A defesa de Auricélia afirmou que, após os fatos, ela recebeu diagnóstico de transtorno psicótico agudo polimorfo com sintomas esquizofrênicos (veja nota completa abaixo).
Imagens mostram a técnica de enfermagem caminhando com a recém-nascida dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa. Ela informou à mãe da criança que levaria a bebê para a realização de exames, entre eles o teste do pezinho.
A tia da recém-nascida desconfiou da situação ao ver a funcionária entrar em um banheiro carregando uma bolsa preta de grande porte. Ao sair, a técnica vestia outra roupa. Ela então decidiu abordá-la e encontrou a criança dentro da bolsa.
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) informou que instaurou um procedimento ético para apurar a conduta da profissional. Segundo o órgão, a Câmara de Ética poderá analisar a adoção de medida cautelar para suspender preventivamente a inscrição profissional da investigada, impedindo o exercício da enfermagem até a conclusão da apuração.
Em nota, o Coren-PI também manifestou solidariedade aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ressaltou que a investigação envolve uma profissional específica, não podendo ser atribuída à equipe de enfermagem da instituição.
O conselho afirmou ainda que todas as medidas serão adotadas "com a máxima celeridade, responsabilidade e rigor", observando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Defesa cita diagnóstico psiquiátrico
Em nota enviada ao Fantástico, da TV Globo, a defesa de Auricélia Rocha afirmou que, após os fatos, ela foi submetida a avaliação no Hospital Areolino de Abreu e recebeu diagnóstico de transtorno psicótico agudo polimorfo com sintomas esquizofrênicos.
Segundo o advogado, documentos médicos e informações sobre o uso de medicação psiquiátrica foram apresentados à Justiça e serão analisados no processo. A defesa informou que pretende pedir a revogação da prisão e, se necessário, impetrar habeas corpus, sustentando que a manutenção da custódia deve ser reavaliada à luz do quadro clínico da suspeita.
Na nota, o advogado afirma que o pedido não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, mas garantir que se observe o devido processo legal e os direitos fundamentais de Auricélia.