Relatórios da Polícia Federal sobre as investigações envolvendo o Banco Master começaram a ser divulgados após uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que determinou o fim do sigilo de grande parte dos arquivos relacionados ao caso.
A medida foi atendida pelo ministro relator André Mendonça, que manteve sob sigilo documentos relacionados a diligências em que a restrição de acesso ainda é considerada imprescindível.
Segundo informações do repórter Luiz Felipe Nunes, os documentos apontam para a existência de uma suposta rede de comunicação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e integrantes de alta patente do Banco Central.
De acordo com a Polícia Federal, representantes da instituição que tinham a função de fiscalizar o banco teriam repassado informações sigilosas a Vorcaro, incluindo detalhes sobre o andamento das investigações contra o próprio Banco Master.
Ainda conforme os relatórios, Vorcaro teria sido informado antecipadamente sobre a possibilidade de ser preso e, por isso, teria providenciado uma passagem para Dubai em novembro do ano passado.
A PF também aponta que ele teria recebido informações sobre a investigação, incluindo a vara responsável pelo caso, o nome do juiz que conduziria o processo e integrantes da equipe de investigação.
Os documentos mencionam ainda uma suposta pressão sobre o juiz responsável pelo caso para evitar uma eventual responsabilização de Daniel Vorcaro. Apesar disso, o ex-controlador do Banco Master acabou preso em novembro do ano passado.
Os arquivos disponibilizados ao público, porém, trazem poucas informações sobre conversas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Esses inquéritos continuam sob sigilo.
Na próxima terça-feira, o plenário do STF deve se reunir para discutir os rumos do inquérito que apura a atuação de Alexandre de Moraes.
O caso é considerado inédito dentro da Suprema Corte. Na reunião realizada na quarta-feira, ministros do Supremo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do STF, Edson Fachin, discutiram o tema.