A Rota matou um líder religioso de 40 anos durante uma abordagem policial nesta terça-feira (14), em São Paulo, gerando versões conflitantes entre os familiares da vítima e as autoridades de segurança. O homem, conhecido na comunidade pelo apelido de Dunga, retornava para casa após deixar a sogra em uma residência localizada a poucos quarteirões de distância quando equipes policiais o abordaram.
A ação resultou em pelo menos quatro disparos contra o homem, sendo que três tiros o atingiram diretamente na região da cabeça.
Os familiares afirmam que ele estava sozinho e totalmente desarmado no momento da abordagem, sem apresentar qualquer tipo de reação diante dos policiais. O filho da vítima declarou que o pai foi alvo de um ataque brutal e que não houve reação por parte do religioso.
Entenda o caso
O pastor havia cumprido pena e chegou a ser preso em 2025, mas já tinha quitado as pendências com a justiça, conforme relatam os parentes. Após a soltura, o homem se tornou uma liderança religiosa influente e respeitada no bairro onde morava.
Por outro lado, a polícia apresenta uma versão diferente e aponta que o homem integrava ativamente a facção criminosa PCC. O caso segue sob investigação oficial para esclarecer as circunstâncias dos disparos e o conflito entre as alegações apresentadas.
Moradores fecham via em protesto
A morte do líder religioso provocou forte indignação na comunidade e motivou manifestações na Zona Leste da capital paulista. Manifestantes interditaram uma via no bairro de São Mateus utilizando barricadas e caçambas de lixo em chamas. Alguns protestantes arremessaram pedras em direção à viatura.
A Força Tática da Polícia Militar agiu para dispersar o protesto e remover os moradores da via bloqueada, usando inclusive balas reais e apontando a arma para os residentes.
Moradores denunciaram avanços truculentos por parte da polícia, com um tio do pastor sendo algemado e levado à viatura com truculência. A família afirma querer ter acesso às imagens das câmeras corporais dos agentes.
A operação contou com o apoio do helicóptero Águia da corporação para monitorar a situação.
Investigação de antecedentes e uso de câmeras corporal
O boletim de ocorrência detalha que a prisão mais recente de Dunga ocorreu em 2025, motivada por uma suposta receptação de produto roubado. Os registros policiais apontam envolvimento anterior do líder religioso com o tráfico de drogas e com a facção criminosa PCC, embora a última detenção não tenha relação com o crime organizado ou com os motivos da abordagem atual.
A família contesta a gravidade do histórico e afirma que a detenção antiga, ocorrida em 2005, envolveu a receptação de uma motocicleta roubada e durou menos de um mês. A ausência de imagens imediatas do momento do confronto também gera questionamentos sobre a conduta policial, que foram acionadas tardiamente.