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Marcola vai a júri popular por morte de policiais militares em SP

O líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, vai a júri popular em São Paulo acusado de ordenar a execução de dois policiais militares em Jundiaí, no interior paulista.

A decisão da Justiça estadual atende à denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que aponta o detento como mandante dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio durante os atentados de maio de 2006.

Condenado a mais de 300 anos de prisão por tráfico de drogas, homicídios e formação de quadrilha, Camacho deve voltar ao banco dos réus em maio do próximo ano para responder pelas ações ordenadas contra a corporação.

De acordo com os autos da denúncia, o ataque ocorreu durante um patrulhamento ostensivo de rotina na cidade de Jundiaí, no período que ficou conhecido como "Salve Geral" da organização criminosa. O policial militar Nelson Pinto, de 44 anos, morreu após ser atingido por um tiro na cabeça. O colega de viatura, Marcelo Henrique dos Santos Moraes, foi alvejado oito vezes, mas sobreviveu aos disparos.

Além de Camacho, o Judiciário paulista pronunciou outros cinco réus apontados como mandantes e executores da ofensiva armada contra os agentes de segurança pública. Entre os pronunciados está Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, que cumpria pena junto com Camacho na época e exercia a função de número dois na hierarquia da facção.

Os confrontos registrados em maio de 2006 representam um dos episódios mais violentos da segurança pública paulista. A cúpula da facção ordenou os ataques após o governo do Estado determinar a transferência de quase 800 integrantes para a Penitenciária de Presidente Bernardes.

A unidade prisional havia sido recém-inaugurada no interior de São Paulo para submeter os detentos ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Ao todo, a série de atentados resultou na morte de 59 agentes de segurança do Estado. Em resposta às ações do crime organizado, confrontos com as forças policiais deixaram 505 suspeitos mortos.

Preso desde 1999, Camacho cumpriria pena até 2029 pelas regras da Lei de Execuções Penais vigentes no início de sua custódia. Em caso de nova condenação pelo Tribunal do Júri, a permanência em regime fechado poderá ser estendida por até 13 anos.

A defesa de Marcos Willians Herbas Camacho sustenta que o cliente nega a autoria ou a ordem para a execução dos policiais militares em Jundiaí. Os advogados argumentam ainda que a realização de um julgamento mais de duas décadas após os fatos prejudica a produção de provas e limita a atuação da defesa no processo penal.

Fonte: Band.
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