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Lula rebate EUA sobre PCC e CV: "Não somos republiqueta e não seremos tratados como moleque"
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez sua primeira declaração pública na tarde desta sexta-feira (29) após os Estados Unidos anunciarem a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante um evento em Sergipe, Lula criticou a decisão americana e disse que o Brasil não aceita ser tratado como “republiqueta”.

"Quer combater crime organizado, entregue os nossos que estão lá. Não aceitamos ser tratados como moleques, como republiqueta", disse o presidente.

O presidente condenou a atitude do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de pedir ao presidente Donald Trump a classificação das facções criminosas como grupos terroristas.

Eu tive três horas com o presidente Trump, três horas com ele. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. Seu Marco Rubio não estava lá. Positivamente porque ele tivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidata estão aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de nos Estados Unidos pedir intervenção americana do Brasil.

Em seu discurso, Lula disse que o PCC e CV são considerados terroristas para as comunidades brasileiras.

“Para o povo da periferia desse país, eles são terroristas. Porque eles incomodam as famílias. Eles incomodam o bairro. Eles incomodam a cidade. Eles roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo ver livremente. Então, eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma lei anti-facção e aprovamos a lei de combater o crime organizado. E vamos combater. Eles não são terroristas que o Trump quer”, afirmou.

O presidente rebateu a medida americana e disse que “nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá. Porque sabe que as armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil, vêm dos Estados Unidos”, ressaltou.

Em tom de indignação, Lula ainda defendeu a democracia nacional e disse que não admite interferência externa. “Não brinquem com a nossa democracia. Não duvidem das coisas que nós fazemos aqui nesse país.”

Mais cedo, o governo federal emitiu uma nota em defesa da soberania nacional e do modelo brasileiro de combate ao crime organizado, após reunião ministerial realizada com membros do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Casa Civil e do Ministério da Fazenda.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, diz a nota.

No texto, o governo afirma que o país trava “combate permanente” contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias armadas. E que as organizações criminosas atuam com foco em lucro por meio do tráfico de drogas e armas e não devem ser confundidas com grupos ligados ao terrorismo internacional por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.

O comunicado também faz críticas à família Bolsonaro, acusada pelo governo de buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, diz o texto.

EUA classificam CV e PCC como terroristas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (28) a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo americano também informou a intenção de classificar ambas as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), medida que entra em vigor no dia 5 de junho.

O CV e o PCC são descritos pelo governo de Donald Trump como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Segundo o comunicado oficial, juntas, as facções comandam milhares de membros e têm sido responsáveis por ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros.

O Departamento de Estado afirmou ainda que a influência e as redes ilícitas dos dois grupos ultrapassam as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos.

A medida foi anunciada dois dias depois da visita de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que havia pedido a Trump para que as facções fossem designadas como grupos terroristas.

Flávio Bolsonaro com Donald Trump durante encontro na Casa Branca   Crédito: Divulgação

Flávio Bolsonaro com Donald Trump durante encontro na Casa Branca   Crédito: Divulgação

Fonte: Band.
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