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Lima Duarte causa revolta por fala com cunho racista ao receber prêmio APCA

Lima Duarte causou revolta na noite de segunda-feira (4) durante a cerimônia de premiação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). O ator, de 96 anos, provocou polêmica ao contar uma história de adolescência ao agradecer uma homenagem na premiação.

No discurso, Lima Duarte relembrou como foi o começo da carreira em São Paulo, quando ainda tinha 15 anos. Ele contou que se negou a ir em uma zona de prostituição por ter apenas mulheres negras. A fala, segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, gerou constrangimento.

Lima contou que, na época quando ainda trabalhava no Mercado Municipal, um amigo o chamou para ir na "zona da cidade". "Eu falei: o que é zona? Ele falou: é mulher. Eu respondi: vamos", contou. O amigo explicou que haviam duas ruas com prostitutas: a Aimorés e a Itaboca, no Bom Retiro, em São Paulo.

O ator contou que na Itaboca, onde teriam prostituas mais baratas, era um local onde haviam apenas mulheres negras. "Não fui. Moleque de rua, dormia embaixo de caminhão. Não fui porque só tinha preta... Que vida, hein, que coisas eu fui percebendo ao longo da vida. Então, nós fomos na Aimorés", disse.

A fala gerou revolta em atrizes negras que estavam no local. Carmen de Luz, premiada na categoria Programa/Memória/Projeto/Difusão com a iniciativa "Minas de Ouro", se posicionou contra a fala de Lima Duarte. "Esse trabalho ['Minas de Ouro'] é uma obra de vingar, mas também de vingança. É uma obra que invadiu a cidade de Campinas para reverenciar o samba. O samba das mulheres pretas, que não estão no mundo para serem recusadas", afirmou ela, que completou:

"Mulheres pretas, levantai-vos, levantai-vos, celebramos as nossas presenças". Shirley Cruz, que venceu o prêmio de Melhor Atriz de Cinema, agradeceu o posicionamento e disse que é uma "mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Sou a prosperidade das minhas ancestrais. Prosperidade é um direito nosso. Vejam só, de rejeitados a premiados", disse.

Lima Duarte se explicou após fala com cunho racista

Em nota para a coluna de Mônica Bergamo, Lima Duarte afirmou que contou uma memória de infância, de um "Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua". "Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos".

Fonte: Band.
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