A Justiça de São Paulo negou mais um pedido de habeas corpus para a influenciadora Deolane Bezerra, mantendo sua prisão preventiva devido ao risco de novos crimes financeiros e ao seu suposto envolvimento com uma facção criminosa.
A defesa da influenciadora havia solicitado a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares ou prisão domiciliar. No entanto, a Justiça entendeu que há um risco iminente de reiteração delitiva, apontando-a como uma peça importante dentro do esquema investigado de lavagem de dinheiro ligado a uma organização criminosa.
Especialistas ouvidos apontam que o processo é complexo, pois envolve apurações iniciadas em 2019 sobre conexões com lideranças do Primeiro Comando da Capital. A investigação aponta que a influenciadora teria ligações próximas e laços de amizade com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e que foi detida após retornar de uma viagem à Interpol.
Juiz ameaçado em audiência de réus do PCC
Em um desdobramento relacionado ao mesmo contexto de investigações contra o crime organizado, o juiz de direito Davidson Ebert dos Reis, atuante em Presidente Venceslau, no interior paulista, registrou um boletim de ocorrência após se sentir ameaçado de morte durante uma audiência de instrução com réus ligados à facção criminosa.
Durante a sessão conduzida pelo magistrado responsável por decretar prisões preventivas no âmbito das operações, o advogado Marcos Roberto Cebola e Silva fez questionamentos que foram interpretados pela magistratura como ameaça velada à sua segurança pessoal. O Tribunal de Justiça de São Paulo emitiu nota manifestando repúdio às ofensas e pressões direcionadas ao juiz durante o exercício de suas funções legais.
Prisão de Deolane Bezerra
Deolane está presa preventivamente desde o dia 21 de maio, quando foi detida em Barueri (SP) durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Ela foi denunciada e se tornou ré sob a acusação de praticar crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, Deolane teria um papel central na estrutura financeira do grupo, utilizando suas contas bancárias e sua projeção pública para mascarar transações de altos valores oriundas de uma transportadora apontada como braço financeiro da facção.
A OAB-SP ingressou como 'amigo da corte' no habeas corpus apresentado pela defesa de influenciadora para que ela seja transferida para uma Sala de Estado-Maior. O espaço é instalado em unidades das Forças Armadas ou de forças auxiliares, como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.