O influenciador digital e empresário Gabriel Spalone foi preso preventivamente nesta quinta-feira (8), em São Paulo, sob suspeita de extorsão, ameaça e de alegar vínculos com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Spalone já é réu na Justiça em uma ação penal que investiga o desvio de R$ 146 milhões por meio de fraudes em transferências via Pix. A nova prisão foi autorizada pela Vara Regional das Garantias de Osasco e executada por agentes da 1ª Delegacia Antissequestro (DAS) da Polícia Civil.
Entenda o caso
De acordo com as investigações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), a nova ordem de prisão decorre de cobranças e ameaças feitas a dois empresários, que seriam ex-sócios de Spalone em uma empresa de tecnologia e transporte.
O influenciador cobrava uma dívida de seus antigos sócios. As vítimas, no entanto, alegavam que o débito já havia sido compensado em prejuízos sofridos em investimentos de criptoativos intermediados por Spalone.
Diante da divergência sobre os valores, o investigado passou a intimidar os empresários. Conforme apurado pela polícia, ele teria utilizado o nome do PCC para forçar o pagamento.
Histórico na Operação Kriptonita
Gabriel Spalone ganhou notoriedade policial e midiática no contexto de investigações sobre lavagem de dinheiro e operações com criptoativos. Em abril deste ano, a Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram a Operação Kriptonita, um desdobramento que mirou suspeitos de sequestrar o próprio influenciador.
À época, apurou-se que Spalone havia sido atraído a um cativeiro por criminosos que tentavam reaver valores milionários ligados a fraudes cibernéticas e conversão de criptomoedas. Paralelamente, ele responde na Justiça como réu por furto qualificado e associação criminosa devido ao esquema de desvio de R$ 146 milhões de contas bancárias. O empresário havia obtido liberdade provisória em fevereiro, mas voltou a ser detido nesta semana devido às novas denúncias de ameaça.
Posse da defesa
Procurada pela reportagem, a defesa de Gabriel Spalone afirmou que ainda não teve acesso integral aos novos autos por estarem sob sigilo de Justiça.
A defesa negou veementemente qualquer ligação do influenciador com organizações criminosas e informou que vai solicitar a revogação da prisão preventiva durante a audiência de custódia. Os advogados também sustentam a inocência do cliente nas acusações de fraudes financeiras anteriores.