91.1 FM - A Sertaneja de Verdade! | São Carlos/SP
Ex-diretor do BC vendeu fazenda a fundo ligado a cunhado de Vorcaro
Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro

O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza vendeu, em 2021, uma fazenda de café no interior de Minas Gerais por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A operação foi detectada pelo próprio BC e hoje integra a apuração da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero.

Venda de fazenda chamou atenção do BC

Segundo investigações internas e informações reveladas por Valor Econômico e Estadão, o negócio ocorreu quando Neves de Souza ainda chefiava a Diretoria de Fiscalização do BC. Questionado internamente, ele admitiu a transação, afirmou que não sabia da ligação do fundo com Zettel e disse que, após a alta do preço do café, conseguiu arrendar novamente a propriedade para continuar explorando a fazenda.

As apurações apontam que Neves de Souza era tratado como um “consultor informal” do Banco Master dentro do BC e teria recebido recursos para ajudar a instituição a driblar a fiscalização. A venda da fazenda é vista pelos investigadores como um dos possíveis pagamentos de vantagem indevida ao ex-diretor.

O BC identificou o fluxo financeiro, comunicou a PF e afastou o servidor em janeiro deste ano. As informações também serviram de base para a terceira fase da Operação Compliance Zero. A defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza não se manifestou até a publicação desta reportagem, e o espaço segue aberto.

PF apura rede de favores e empresas de fachada

De acordo com a PF, além de pagamentos diretos, Neves de Souza recebeu favores indiretos. Em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, o banqueiro orienta auxiliares a providenciar “um guia” para o ex-diretor e sua família durante viagem à Disney, em mais um gesto apontado pelos investigadores como benefício oferecido pelo grupo.

Outro servidor investigado é Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Reportagens do Estadão relatam que ele atrasou o envio de documentos solicitados pela PF para embasar o pedido de prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, e só repassou as informações após ser alertado sobre possível responsabilização.

As investigações indicam que os pagamentos a Paulo Sérgio e Belline saíam da Super Participações, empresa ligada a Vorcaro e coordenada por Zettel, passavam pela Varajo Consultoria Empresarial, que funcionaria como conta de passagem, e chegavam às contas pessoais dos dois servidores.

Ex-diretor do BC tinha peso sobre decisões envolvendo o Master

Na hierarquia interna, Paulo Sérgio Neves de Souza ocupou posição central no período de expansão do Master. De 2017 a 2023, ele foi diretor de Fiscalização do BC, com assento na diretoria colegiada e direito a voto nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que definem a taxa básica de juros.

Coube a Neves de Souza assinar e recomendar à cúpula do BC, em 2019, a autorização para a transferência do então Banco Máxima para o controle de Daniel Vorcaro, movimento que deu origem ao atual Banco Master.

Segundo a PF, o ex-diretor mantinha interlocução direta com Vorcaro e prestava consultoria contínua ao banqueiro. Ele orientaria a estratégia do Master em processos administrativos, revisaria documentos e minutas a serem enviados ao BC e avaliaria comunicados institucionais que o banco divulgava ao mercado financeiro. Belline Santana teria atuação semelhante.

Revisão interna e medidas do STF

Relatos internos citados na investigação apontam que Paulo Sérgio era o principal defensor dos números do Master dentro do BC e chegou a ter discussões acaloradas com o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, ao longo de 2025. Nesse período, o BRB apresentou proposta para comprar o Master, o que levou o Banco Central a se debruçar novamente sobre os dados da instituição.

Em setembro de 2025, o BC determinou que a Auditoria Interna (Audit) revisasse o trabalho produzido pelo departamento chefiado por Paulo Sérgio e Belline. Em janeiro deste ano, os dois foram afastados dos cargos.

Neves de Souza foi alvo de medidas cautelares impostas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele precisa usar tornozeleira eletrônica e está proibido de se comunicar com outros envolvidos e de acessar qualquer sistema do Banco Central. Nesta semana, o STF adotou medidas em relação aos dois servidores no âmbito da Operação Compliance Zero.

Fonte: Band.
Carregando os comentários...
91 Sertaneja com Programação Sertaneja
Rio Negro & Solimões - Fivela Com Fivela
Carregando... - Carregando...