Um novo estudo reforça o alerta sobre os efeitos devastadores do cigarro eletrónico (vape) e do narguilé no organismo humano. A investigação comprova que o uso destes produtos aumenta significativamente o risco de diversos tipos de cancro, especialmente os de pulmão e boca, devido à rapidez com que as substâncias tóxicas provocam alterações celulares.
Impacto precoce e mutações genéticas
Diferente do que muitos utilizadores acreditam, o dano causado por estes dispositivos pode ser extremamente rápido. O cirurgião Alexandre Bezerra, que participa de um estudo com pacientes jovens, explica que o calor e as substâncias químicas causam uma irritação constante na mucosa oral, fazendo com que as células sofram mutações genéticas ao serem expostas a estes produtos. Estudos indicam que uma hora de uso de narguilé equivale a fumar cerca de quatro maços (80 unidades) de cigarros convencionais.
Cenário do cancro de boca no Brasil
O cancro de cavidade oral já figura entre os cinco tipos de maior incidência no Brasil e no mundo entre os homens, com uma estimativa de mais de 17 mil novos casos por ano para o triénio de 2026 a 2028. Embora o tabagismo convencional continue a ser o principal vilão, o uso crescente de dispositivos eletrónicos e narguilé tem impulsionado as estatísticas entre o público mais jovem, levando especialistas a reforçarem o apelo para que os pais fiquem alertas e mantenham o diálogo sobre os perigos reais destes dispositivos.