A China planeja substituir contingentes militares tradicionais por uma rede autônoma de robôs de defesa e ataque no Mar do Sul da China. O objetivo estratégico de Pequim é assegurar a vigilância constante de ilhas e rotas marítimas sem a necessidade de manter grandes tripulações humanas na região.
A iniciativa chinesa ganhou força após a constatação da eficiência dos drones marítimos ucranianos na guerra contra a frota russa. Os equipamentos navais da Ucrânia, consideravelmente mais baratos do que navios de combate convencionais, expuseram a fragilidade de grandes embarcações militares tripuladas.
A partir dessa avaliação, pesquisadores ligados à Guarda Costeira chinesa elaboraram um plano para transformar a área disputada em um laboratório operacional de tecnologia de defesa. O estudo detalhando a proposta foi divulgado em julho de 2026 em uma publicação militar chinesa.
Estrutura integrada no ar, na superfície e no fundo do mar
O projeto de defesa prevê a integração de três frentes robóticas coordenadas:
- No ar: aeronaves não tripuladas cobrem grandes distâncias com sensores avançados;
- Na superfície marítima: embarcações autônomas eliminam pontos cegos de monitoramento;
- Debaixo d’água: veículos submarinos robóticos realizam patrulhas e vigilância profunda.
Diferentemente do modelo clássico militar, em que um sensor envia o alerta a um comando humano antes da ordem de resposta, o novo formato descentraliza o sistema. Caso um drone sofra avarias ou seja destruído em combate, os demais aparelhos da rede mantêm a operação ativa de forma automática.
Embora o plano global ainda não tenha aprovação oficial do governo de Pequim, testes práticos conjuntos já foram realizados entre drones aéreos, marítimos e submarinos nas imediações de bases militares no Mar do Sul da China.
Parte das bases militares chinesas está instalada em áreas também reivindicadas pelas Filipinas. O governo filipino mantém um tratado de defesa mútua com os Estados Unidos, o que pode forçar uma intervenção das forças norte-americanas caso embarcações do país asiático sofram ataques.
Conforme destacou o repórter Felipe Kieling, as fortalezas robóticas ampliam o controle de Pequim sobre o mar territorial ao redor. O sistema automatizado permite vigiar embarcações estrangeiras e bloquear eventuais missões de abastecimento em áreas estratégicas por onde circulam trilhões de dólares em mercadorias anualmente.