O deputado Daniel Perez, indicado por Donald Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, admitiu abertamente que seu país mantém um "superavit comercial massivo" em relação ao Brasil. A declaração foi feita, nesta quinta-feira (16), durante sabatina no Congresso americano.
Perez confirmou a vantagem financeira dos EUA ao afirmar: "Nós vendemos muito mais para o Brasil do que eles vendem para nós". A frase contradiz um dos argumentos do governo norte-americano para justificar o novo tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros, como foi anunciado na quarta-feira (15).
A taxação, que começa a valer no próximo dia 22, é fruto de uma investigação comercial que alega práticas desleais por parte do Brasil, citando desde o sistema de pagamentos Pix e o comércio digital até falhas no combate à corrupção, pirataria e desmatamento ilegal.
O peso das tarifas
Segundo o governo brasileiro, a nova sobretaxa de 25% terá um impacto direto sobre cerca de US$ 7,4 bilhões anuais em exportações, o equivalente a 18% de tudo o que o Brasil vende para os EUA. Entre os setores mais atingidos estão o de etanol, vestuário, calçados e máquinas agrícolas.
Por outro lado, Washington poupou produtos considerados essenciais para a sua própria economia. Cerca de 2.100 itens, como café, carne bovina, suco de laranja e aviões, permanecerão isentos, compondo 82% do volume exportado pelo Brasil.
Críticas diplomáticas
A imposição das tarifas foi acompanhada de fortes críticas políticas. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o presidente Lula não negociou "de boa fé" e acusou o governo brasileiro de colocar "seu próprio ego" à frente do bem-estar da população.
O cenário comercial pode se agravar ainda mais nos próximos dias. O Brasil é alvo de uma investigação paralela sobre trabalho forçado, com conclusão prevista para a próxima sexta-feira. Caso a apuração seja desfavorável, uma tarifa adicional de 12,5% poderá ser aplicada, elevando os impostos totais sobre produtos brasileiros para 37,5%.
Atualmente, o Brasil é o país que sofreu o maior aumento de tarifas desde o retorno de Trump à presidência, sendo superado em nível de taxação apenas pela China.