O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, se manifestou nesta segunda-feira (10) após a abertura de um inquérito pela Polícia Civil para apurar falas consideradas LGBTfóbicas exibidas em seu programa. O comunicador negou intenção ofensiva e anunciou que não fará mais brincadeiras no ar para evitar novos processos judiciais.
A apuração foi motivada por um episódio exibido na última quarta-feira (5), quando o apresentador disse que o cantor sertanejo Tiago Piquilo estava com "cara de viado" após platinar os cabelos. Durante a exibição do Programa do Ratinho, o comunicador defendeu sua trajetória de 28 anos na televisão e acusou o denunciante de usar a estrutura do Judiciário para obter vantagem.
"Eu sempre brinquei com todo mundo que vem aqui ao programa. Nunca, na minha vida, em nenhum momento, desrespeitei uma pessoa sequer. O que mais tenho pelas pessoas é respeito. (...) Uma vez, o Silvio Santos começou a brincar com crianças e um produtor falou que ele estava tratando mal as crianças. Ele disse: 'Eu não sei tratar criança? Então, não vou mais brincar com criança'. E eu vou fazer isso. Não brinco mais. É melhor, mais fácil e evito processo", declarou o apresentador.
Denúncia e investigação policial
A queixa foi protocolada pelo ativista LGBTQIAPN+ Agripino Magalhães Júnior. O inquérito policial segue em andamento sob sigilo, e tanto o apresentador quanto membros de sua equipe de produção devem ser chamados para prestar depoimento.
Em nota, Agripino contestou o argumento de que a declaração se tratava apenas de uma piada entre colegas de palco.
"A LGBTQIAPN+fobia não pode ser tratada como piada, provocação ou entretenimento. Quando uma fala ultrapassa os limites da liberdade de expressão e atinge a dignidade de uma população inteira, cabe às autoridades investigar e à Justiça decidir sobre eventuais responsabilidades", afirmou o ativista.
Posicionamento da direção da emissora
A presidente do SBT, Daniela Beyruti, comentou o caso e afirmou que conversará diretamente com o funcionário sobre a repercussão do ocorrido.
"Para o SBT, todos são aceitos e bem-vindos. Os LGBTs fazem parte da nossa história, sempre tiveram espaço em nossos palcos. Somos iguais, independente de qualquer coisa. Sei que o Ratinho não fez e não faz por mal. O Ratinho vem de uma geração diferente. Conheço ele, ele ama as pessoas. Vamos falar com ele porque ele precisa entender que apesar da brincadeira não ter a intenção de machucar alguém, machuca", declarou a executiva.